Relíquias consideradas raras de Santa Teresinha e São João Paulo II são guardadas no interior de SP
Fragmentos do cabelo de Santa Teresinha e da batina com sangue de São João Paulo II estão sob a custódia de fiéis em Presidente Prudente (SP) e são classificados como relíquias de 1º grau no catolicismo.
Na tradição da Igreja Católica, relíquias são fragmentos do corpo de santos ou objetos que tiveram contato direto com eles e que são preservados como sinais concretos de fé e devoção.
Em Presidente Prudente (SP), duas relíquias de 1º grau, consideradas as mais importantes pela Igreja, estão sob os cuidados de fiéis autorizados pela Diocese: fios de cabelo de Santa Teresinha do Menino Jesus e um fragmento de tecido com sangue de São João Paulo II.
Por mais que sejam cercadas de grande significado espiritual, as relíquias não são objeto de adoração. Segundo a doutrina católica, elas são veneradas como sinais da santidade vivida por homens e mulheres que dedicaram suas vidas a Deus.
O que são relíquias?
As relíquias são classificadas em três graus:
1º grau: partes do corpo do santo, como cabelo, sangue, pele ou ossos;
2º grau: objetos que pertenceram ao santo, como roupas e utensílios pessoais;
3º grau: itens que tocaram uma relíquia de 1º grau.
As duas relíquias presentes em Presidente Prudente pertencem à primeira categoria, a mais rara e significativa dentro da tradição católica.
Quem cuida das relíquias são os guardiões. Eles não são considerados proprietários da relíquia, mas seus responsáveis. Cabe a eles preservar, transportar e zelar pelo objeto com respeito e segurança, sempre para fins de evangelização.
Para os guardiões, as relíquias representam um convite à oração e à vivência da fé no cotidiano.
Relíquia de Santa Teresinha
A aposentada Lúcia Garcia, de 53 anos, é a guardiã da relíquia de 1º grau de Santa Teresinha do Menino Jesus em Presidente Prudente.
O relicário contém fios de cabelo da santa carmelita e chegou às mãos da fiel após um processo que, segundo ela, envolveu oração, discernimento espiritual e autorização formal do bispo diocesano, Dom Benedito Gonçalves dos Santos.
Lúcia conta que o desejo surgiu durante o Encontro Nacional de Santa Teresinha, realizado em 2025, em Presidente Prudente.
“No ano passado, [em 2025], eu senti no meu coração ser uma guardiã da relíquia, mas eu nem sabia na realidade o que seria ser uma guardiã. Conversei com o padre responsável por relíquias e ele disse que só o bispo pode autorizar para que a relíquia seja concedida. Fiz primeiro uma novena para Santa Teresinha, para receber uma rosa para conversar com o bispo. Ela foi dando muitos sinais, pois os santos que escolhem a gente, não nós que escolhemos os santos”, explica Lúcia.
Entre várias conversas, orientações, reflexões e orações com o bispo, foi feita uma carta da maneira como o padre havia solicitado. Então, Lúcia se tornou guardiã da relíquia, que chegou para ela em abril de 2025.

Segundo a guardiã, o processo é rigoroso porque relíquias de 1º grau não são entregues com facilidade.
“Tudo é feito com consentimento do bispo Dom Benedito. Os documentos são cartas de originalidade assinadas pelo padre responsável pelas relíquias em francês e carta de autorização do bispo, timbrada com selo da cúria Diocesana, também assinada pelo padre da paróquia que pertenço”, afirma a guardiã.
A relíquia chegou inicialmente em um pequeno relicário lacrado. Meses depois, foi colocada em um novo suporte, escolhido pela guardiã, em formato de rosa, símbolo tradicional associado à espiritualidade de Santa Teresinha, conhecida como a “Santa das Rosas”.
A peça está instalada em um altar fixo montado na residência de Lúcia, em Presidente Prudente. O espaço pode ser visitado mediante agendamento e recebe devotos para momentos de oração, pedidos e agradecimentos.
Todo dia 2 de cada mês, data dedicada a Santa Teresinha, Lúcia promove um terço aberto ao público, seguido por uma confraternização entre os participantes. A relíquia também peregrina por paróquias, movimentos, pastorais, residências e eventos religiosos.
Desde que foi instalada no relicário definitivo, a peça já esteve em locais como a Catedral São Sebastião, a Cúria Diocesana, o Santuário de Santa Teresinha, a Ermida da Mãe Rainha, a Rádio Onda Viva e em paróquias de cidades da região, além de visitas a famílias.
Relíquia de São João Paulo II
A segunda relíquia de 1º grau presente em Presidente Prudente está sob a guarda de Juliano Lanziani, de 48 anos, fundador e coordenador do Apostolado Eucarístico São João Paulo II.
O relicário contém um fragmento da batina com uma gota de sangue de São João Paulo II, recolhida em 2 de abril de 2005, dia da morte do pontífice polonês. Segundo Juliano, trata-se de uma das poucas relíquias dessa natureza existentes no Estado de São Paulo.
A história da chegada da peça ao Oeste Paulista começou após a pandemia da Covid-19. Na época, o grupo coordenado por Juliano enfrentava dificuldades para retomar as atividades de adoração e contou com o apoio do padre polonês Zdzislaw, que emprestou uma relíquia do santo papa.
Com essa peça, foi organizada a primeira peregrinação de São João Paulo II na Diocese de Presidente Prudente. O trabalho chamou a atenção do sacerdote, que apresentou o apostolado ao cardeal Stanisław Dziwisz, arcebispo emérito de Cracóvia e secretário particular de João Paulo II por mais de quatro décadas.
Sensibilizado com a missão desenvolvida no interior paulista, o cardeal enviou diretamente da Polônia uma relíquia definitiva para o grupo.
“O padre foi conhecendo o nosso trabalho e o carinho que temos por Jesus Eucarístico, Nossa Senhora, e de forma especial ao Papa São João Paulo II […] Foi uma graça e um reconhecimento do nosso carinho por essa figura tão importante da Santa Igreja”, resume Juliano.

A autenticidade é garantida por certificado oficial assinado e carimbado pelo próprio cardeal Dziwisz, com selo da Arquidiocese de Cracóvia. Em comunhão com o bispo diocesano, a relíquia foi transformada em uma relíquia peregrina, que viaja por diferentes comunidades católicas.
Desde então, a peça já percorreu dezenas de paróquias da Diocese de Presidente Prudente e também de outros estados brasileiros. Além de igrejas, a relíquia já esteve em hospitais, UTIs, lares de idosos, seminários, escolas e residências.
Segundo Juliano, a missão é sempre a mesma: “Quando está em nosso espaço de guarda, permanece em oração, mas sempre pronta para seguir viagem, pois a sua missão é estar entre as pessoas, levando a presença e a intercessão do próprio Papa São João Paulo II”.
Para o guardião, no entanto, as maiores graças testemunhadas são espirituais.
“Não são apenas as curas físicas, que também acontecem e são sinais do amor de Deus, mas sim as curas da alma, a paz que chega ao coração de quem está sofrendo, angustiado ou afastado de Deus”, relata o guardião.
Quando não está em peregrinação, a relíquia permanece sob os cuidados do Apostolado Eucarístico São João Paulo II e participa das adorações silenciosas realizadas às segundas-feiras, na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Presidente Prudente, e às quintas-feiras, na Capela São Francisco de Assis, na Faive, em Presidente Venceslau (SP).
Para Juliano, a veneração das relíquias é uma tradição antiga da Igreja e não se confunde com adoração.
“A veneração das relíquias de santos católicos não tem nenhuma conotação com adoração aos santos. Nossa realidade de fé busca vivenciar as graças e dos Santos Mistérios de nosso Deus. Queremos mostrar que a santidade é possível, que a fé faz sentido e que ele continua vivo, rezando e intercedendo por nós diante de Deus”, conclui.
Como visitar
A relíquia de Santa Teresinha pode ser visitada em um altar particular em Presidente Prudente, mediante agendamento pelo WhatsApp (18) 99701-1470 ou pelas redes sociais.
Já a relíquia de São João Paulo II costuma estar presente nas adorações silenciosas promovidas pelo Apostolado Eucarístico São João Paulo II na Paróquia Santa Rita de Cássia, em Presidente Prudente, e na Capela São Francisco de Assis, em Presidente Venceslau. Informações podem ser obtidas pelas redes sociais.
Fonte: G1










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