SIGILO DE 100 ANOS! FAB ESCONDE LISTA DE PASSAGEIROS DE JATINHO DE VORCARO

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SIGILO DE 100 ANOS! FAB ESCONDE LISTA DE PASSAGEIROS DE JATINHO DE VORCARO

Aeronáutica invoca proteção à privacidade para barrar acesso aos nomes de quem viajou no avião de R$ 200 milhões; decisão reacende debate sobre transparência no caso Banco Master

Uma lista de passageiros que pode ficar inacessível por um século. A Força Aérea Brasileira (FAB) impôs sigilo de 100 anos sobre informações relacionadas aos passageiros de um jatinho ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A decisão veio à tona nesta quinta-feira (15) e levanta uma pergunta inevitável: quem estava a bordo da aeronave?

O pedido de acesso à informação foi feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) e buscava registros do plano de voo do avião de prefixo PS-FST, entre os dias 10 e 20 de novembro de 2025.

A resposta da Aeronáutica, porém, foi negativa. O órgão alegou que a divulgação poderia comprometer a intimidade e a vida privada das pessoas que utilizaram a aeronave, com fundamento no artigo 31 da LAI.

O episódio que aumenta a repercussão

O período solicitado chama a atenção por um motivo: foi justamente em novembro de 2025 que Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar no jato com destino a Malta, na Europa.

A aeronave é um Falcon 7X, avaliado em aproximadamente R$ 200 milhões e apreendido pela Polícia Federal.

Com a restrição de acesso, os nomes dos passageiros não foram revelados na resposta ao pedido de informação. Até o momento, não há informação que permita afirmar que qualquer passageiro tenha cometido irregularidade. Ainda assim, o caso desperta interesse público por envolver uma aeronave ligada a um banqueiro no centro de um dos episódios financeiros mais comentados do país.

Por que esconder informações por 100 anos?

A FAB argumenta que a divulgação dos planos de voo permitiria cruzar dados e identificar os deslocamentos de pessoas, comprometendo sua privacidade.

O chamado sigilo centenário está previsto na Lei de Acesso à Informação e pode restringir o acesso a determinados dados pessoais por até 100 anos. A aplicação dessa regra, contudo, costuma provocar debates quando envolve informações que podem ter relevância pública.

O episódio também traz de volta uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, em 2022, defendeu acabar com o sigilo de 100 anos. O dispositivo, entretanto, continua previsto na legislação brasileira.

A pergunta que fica é: até onde deve ir a proteção da privacidade quando há interesse público em informações relacionadas a um caso de grande repercussão nacional?

Por enquanto, os passageiros do jato continuam sem identificação pública na resposta divulgada pela Aeronáutica. E o sigilo de um século transforma uma simples lista de nomes em mais um capítulo de uma história que ainda desperta muitas perguntas.

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