Menino de 10 anos autista e superdotado transforma paixão pela leitura em e-book no interior de SP: ‘Não importa laudo’

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Menino de 10 anos autista e superdotado transforma paixão pela leitura em e-book no interior de SP: ‘Não importa laudo’

Diagnosticado com autismo nível 1 de suporte e altas habilidades, Davi Puga Rufato, de Dracena (SP), aprendeu a ler sozinho aos 4 anos e soma mais de 100 livros lidos.

Enquanto muitas crianças usam o recreio para brincar, um menino de Dracena (SP) prefere criar histórias. Foi justamente entre uma aula e outra, escrevendo pequenos livretos para os colegas da escola, que nasceu a ideia de publicar o primeiro livro.

Aos 10 anos, Davi Puga Rufato, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte e com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), lançou o e-book “O Bê-á-Bá para Gostar de Ler”, obra em que reúne dicas e desafios para incentivar crianças, pais e educadores a criarem o hábito da leitura.

A publicação representa muito mais do que o lançamento de um projeto, já que Davi encontrou nos livros um dos principais caminhos para desenvolver seu potencial.

“Na escola, durante o recreio a gente fazia tipo uns mini livrinhos caseiros de comédia. Depois de um tempo, a minha mãe fez um curso sobre vender e-books. Ela me deu a faca e o queijo para publicar o livro. É um processo bem rápido, porque eu já tenho as ideias e a forma de fazer”, explicou Davi.

Atualmente, além de escritor, ele também participa de palestras sobre inclusão e autismo e já trabalha na publicação do segundo e-book.

Gosto pela leitura

O interesse pelos livros apareceu muito cedo. Segundo a mãe, a professora e empresária Meiriéllen Puga Rufato, Davi aprendeu a ler e escrever sozinho durante a pandemia, quando tinha apenas quatro anos. Desde então, nunca mais parou.

Ao longo dos últimos anos, já leu mais de 100 livros. Embora tenha passado por diferentes hiperfocos, como dinossauros e personagens da franquia Mário, a leitura continuou como sua principal paixão.

“Percebendo sua aptidão e talento, eu e meu esposo compramos vários livros e incentivamos Davi a escrever, agora de modo menos amador, o que ele faz com muita naturalidade e espontaneidade”, explicou a mãe.

Ela ainda disse que a produção do primeiro e-book surgiu justamente como uma forma de estimular esse interesse.

A família apoiou o projeto e ajudou Davi a transformar as histórias que antes ficavam apenas nos cadernos em uma publicação disponível em plataformas digitais.

Além do diagnóstico

A trajetória do menino também mudou a forma como toda a família passou a enxergar o autismo. Meiriéllen conta que o diagnóstico foi recebido quando Davi tinha quatro anos e deu início a anos de terapias, acompanhamento especializado e estudos sobre o tema.

Segundo ela, conviver com a dupla excepcionalidade do filho ensinou uma importante lição.

“Essa dupla excepcionalidade do Davi nos ensinou que cérebros funcionam de formas diferentes e que o padrão ‘normal’ de comportamento não existe”, relatou Meiriéllen.

Além de ser professora da rede municipal de ensino, ela também atua diretamente na causa da inclusão.

A mãe criou um espaço de acolhimento voltado a crianças atípicas em Dracena justamente porque percebeu a dificuldade de acesso ao diagnóstico e ao tratamento na região.

“Como mãe, pedagoga e militante na causa inclusiva, me sinto na obrigação de estudar e ofertar, cada vez mais, estímulos e suporte para que Davi avance e desenvolva seus talentos. Ainda há uma demanda muito grande de crianças sendo diagnosticadas erroneamente, e uma vez diagnosticada, surge a pergunta: quem que vai tratar? Onde vai tratar? Como que vai tratar?”, contou.

Escrever para incentivar

Davi já sonha em publicar versões impressas dos livros e continuar escrevendo novas histórias. Enquanto isso, segue conciliando a rotina escolar, as leituras, a produção de novos textos e as palestras sobre autismo.

Por fim, apesar da pouca idade, Davi já sabe exatamente qual mensagem quer transmitir. Mais do que ensinar técnicas de leitura, ele espera que sua história incentive outras crianças, seja com ou sem autismo, a acreditarem nos próprios sonhos.

“Não importa laudo. Não importa se você tem autismo nível 1, nível 2 ou nível 3. Isso não significa que você não é capaz de fazer alguma coisa. É só você pensar e insistir naquilo que você tanto quer. Eu gostava de ler e agora publiquei um livro. Estou quase publicando o segundo, então pegue a minha história como exemplo para você escrever a sua”, concluiu Davi.

Fonte: G1

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