Hospital São Paulo tem 48 pacientes com Covid em sala para 20, intubação em maca e falta de tomada para oxigênio

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Hospital São Paulo tem 48 pacientes com Covid em sala para 20, intubação em maca e falta de tomada para oxigênio

Segundo relato de funcionários, estão sendo usados adaptadores para uma única fonte fornecer oxigênio para dois pacientes. Necessidade imediata é a de leitos de enfermaria, uma vez que a maioria dos pacientes necessita de cateter nasal de O2.

Funcionários do Hospital São Paulo, na Zona Sul da capital paulista, relataram ao G1 que a unidade enfrenta graves problemas de lotação e precarização do atendimento aos pacientes de coronavírus por conta da explosão de casos no estado. Março de 2021 foi o pior mês da pandemia em São Paulo, com mais de 10 mil mortes.

Nesta terça (23), a sala destinada para o tratamento de Covid-19, que tem capacidade para 20 pessoas, tinha 48 pacientes. O vídeo acima mostra a superlotação na sala.

Nos últimos dias, o hospital chegou a ficar sem fontes de oxigênio no pronto-socorro. A unidade não registra problema de desabastecimento do produto, mas não tem tomadas suficientes para a demanda.

Estão sendo usados adaptadores para uma única fonte fornecer oxigênio para dois pacientes, o que reduz o fluxo máximo que cada um deveria receber. A necessidade mais urgente é a de leitos de enfermaria, uma vez que a maioria dos pacientes necessita de um cateter nasal de oxigênio.

Por conta da falta de leitos, pacientes estão internados há 48 horas em poltronas, em uso do oxigênio. Uma paciente está intubada desde a noite de terça (23), à espera de uma vaga em UTI.

O hospital também registra falta de medicamentos como propofol, remédio essencial para intubação, usado para manter o paciente sedado durante o procedimento.

Na semana passada, uma paciente em estado grave foi intubada em uma maca do SAMU por conta da superlotação.

Nesta quarta (24), profissionais de saúde da unidade fizeram um protesto em frente ao Hospital por conta da precariedade do atendimento.

A unidade é administrada de forma compartilhada por um conselho gestor, do qual faz parte a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), e atende a todas as especialidades médicas, em especial as com procedimentos de alta complexidade.

A Associação disse ao G1 que não há falta de oxigênio e que nenhum paciente ficou sem atendimento. Sobre a falta do propofol, a associação disse há um desabastecimento geral no mercado e que utiliza medicamentos similares (leia nota abaixo).

Segundo os profissionais ouvidos pelo G1, a direção está tentando se organizar e abrir novas UTIs e enfermarias para pacientes de Covid e convocando residentes de especialidades não clínicas (como cirurgia, ginecologia e obstetrícia, pediatria). Técnicos em assuntos educacionais, que são professores e médicos não concursados, também foram convocados.

O que diz o hospital

“A direção do Hospital São Paulo (HSP) esclarece que não procedem as alegações de precariedade no atendimento repassadas pela reportagem. Não há falta de oxigênio na unidade, sendo que nenhum paciente ficou sem o item. O HSP possui tanto tanques de oxigênio gasoso como cilindros de oxigênio líquido para fornecimento aos pacientes, por meio pontos de oxigênio, gás comprimido e aspiração, em número suficiente para a demanda atual.

Em relação ao medicamento Propofol, o que existe é um desabastecimento geral de mercado do insumo. Porém, a unidade possui medicamentos similares em seu estoque, não havendo qualquer tipo de desassistência neste sentido.

Devido ao quadro atual da pandemia, assim como todas as unidades de saúde do país, o Hospital São Paulo tem recebido diariamente um alto número de pacientes. Assim, a direção do HSP ampliou o número de leitos de enfermaria e UTI, além de alterar o local da sala de emergência respiratória, ampliando seu espaço e capacidade para atendimento da demanda, sendo que nenhum paciente fica sem atendimento na unidade.”

Fonte: G1

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