Tesouro histórico: sítio arqueológico reúne e preserva 12 mil peças de povos originários no interior de SP
Artefatos, encontrados na região de Presidente Epitácio (SP), revelam hábitos de grupos de agricultores-coletores da tradição tupi-guarani, de mais de mil anos atrás.
Em celebração ao mês dos povos originários, marcado pelo Dia dos Povos Indígenas em 19 de abril, um sítio arqueológico preserva cerca de 12 mil peças de comunidades que habitaram a região de Presidente Epitácio (SP) há mais de mil anos.
Os artefatos encontrados no Sítio Arqueológico Lagoa São Paulo II, um dos 41 registrados no município, revelam hábitos de grupos agricultores-coletores da tradição tupi-guarani. Ao todo, já foram identificadas mais de 25 mil peças, entre fragmentos de cerâmica, vasos e urnas funerárias.
À TV TEM, o geógrafo Jean Ítalo Cabrera fala sobre o trabalho feito para catalogar o acervo das peças, que passam por limpeza e medição antes. Entre os artefatos encontrados pelo especialista, está um machado em formato de meia-lua.
“Os tupi-guaranis faziam dois tipos de decoração: a decoração plástica, que é feita diretamente no bojo do artefato, da vasilha, e outra particularidade que a gente descobriu é a decoração escovada que, provavelmente, eles aprenderam com os jesuítas.”
Conforme o geógrafo, no local onde hoje está o Sítio Arqueológico Lagoa São Paulo II havia três populações indígenas.
“Era uma área de atrativo para os caçadores. Provavelmente, eles vinham até aqui seguindo a rota das caças. E, depois, os ceramistas viram que o sol era bom para cultivar, então eles ficaram aqui por muitos anos.”
Construção do museu
Parte do acervo já encontrado está no Centro de Museologia, Antropologia e Arqueologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Presidente Prudente. No entanto, um museu está em fase de construção em Presidente Epitácio, próximo ao sítio arqueológico, e deve receber os itens.
Conforme a diretora de engenharia da Prefeitura de Epitácio, Cristielli Daleffi, assim que as obras do museu forem concluídas, será feita uma exposição ao céu aberto, a partir da expansão da área do sítio arqueológico.
“Todos os artefatos que foram encontrados aqui, nas pesquisas que foram feitas, eles permanecem aqui no sítio. Eles estão georreferenciados no local e, futuramente, a fase dois da obra vai ser uma trilha, que vai entrar na mata. Vai ser como se a pessoa estivesse encontrando, de fato, o artefato no chão”, descreve a engenheira.
Ainda não há previsão para a inauguração do museu, mas há a expectativa de ampliação do acervo com a descoberta de novas peças milenares de povos originários na região.
Fonte: G1










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