Há mais de um século, Shokonsai mantém a tradição de homenagear os antepassados no único Cemitério Histórico Japonês do Brasil
Evento ocorre entre sexta-feira (10) e domingo (12), em Álvares Machado (SP); confira a programação. Ritual das velas é um dos momentos mais aguardados pelos participantes.
Mais do que um festival da cultura japonesa, o Shokonsai é um encontro entre gerações. Há mais de 100 anos, descendentes de imigrantes se reúnem em Álvares Machado (SP) para agradecer aos antepassados que ajudaram a construir a história da região, em uma tradição que mistura espiritualidade, memória e manifestações culturais.
O evento que chega à 106ª edição em 2026 será realizado entre sexta-feira (10) e domingo (12), no Cemitério Histórico Japonês, patrimônio tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), com expectativa de receber mais de 7 mil visitantes.
A tradição nasceu em 1920, quando famílias japonesas passaram a prestar homenagens aos parentes sepultados no local, inspiradas no Obon, celebração realizada no Japão em memória dos mortos.
Até então, o cemitério mais próximo ficava em Presidente Prudente (SP), a cerca de 15 quilômetros de distância, e os corpos das vítimas precisavam ser carregados a pé.
Com o aumento das mortes decorrentes de um surto de febre amarela e outras doenças que atingiu a comunidade japonesa instalada em Álvares Machado, o pioneiro Naoe Ogassawara conseguiu autorização para criar um espaço próprio destinado à colônia.
O primeiro sepultamento no espaço, que é o único cemitério japonês do Brasil, ocorreu em 19 de novembro de 1919. Um ano depois, a cerimônia em memória dos falecidos passou a receber o nome de Shokonsai, expressão que significa “convite às almas”.
Desde então, o evento atravessa gerações preservando uma tradição que une cerimônia religiosa, apresentações culturais e encontros familiares.
Programação
A programação da 106ª edição começa na sexta-feira (10) e segue até domingo (12), com:
Praça de alimentação;
Taikô;
Danças tradicionais;
Show do cantor Joe Hirata;
Bon Odori;
Karaokê;
Cerimônia budista;
Ritual das Velas.
A principal novidade deste ano será a inauguração de uma nova ponte sobre o canal que liga ao lago do Parque das Cerejeiras Naoe Ogassawara, facilitando a circulação dos visitantes.
Mais de 200 voluntários participam da organização do evento, cuja preparação começa cerca de três meses antes da realização.
Tradição
Em entrevista, o vice-presidente da Associação Japonesa, Alberto Yukio Nakada, explicou que a tradição representa uma demonstração de gratidão aos pioneiros.
“A importância do Shokonsai para as famílias descendentes é uma forma de agradecer por tudo que eles fizeram. Graças a eles, somos o que somos hoje”, expressou Alberto.
Ainda segundo ele, o evento também tem a missão de aproximar os jovens da história da imigração japonesa.
“Através das atividades, na realização do Shokonsai, vamos mostrando à nova geração a importância dos legados deixados pelos pioneiros que tanto sofreram para dar uma vida digna aos seus descendentes”, explicou o vice-presidente.
Entre todos os momentos da programação, um deles costuma emocionar até quem visita o evento pela primeira vez.
No fim da tarde de domingo, várias velas são acesas sobre os túmulos do Cemitério Histórico Japonês, formando um cenário iluminado que simboliza a homenagem aos antepassados.
“Sem dúvida, o que mais chama atenção de quem participa pela primeira vez, é o Ritual das Velas. É o momento mais marcante pra mim, pois, ao acenderem as velas em todos os túmulos, há uma calmaria naquele momento de forma inexplicável, e as velas permanecem todas acesas”, contou.
Cultura
Embora tenha origem budista, Alberto afirmou que o Shokonsai se tornou um patrimônio cultural aberto a todos os públicos.
“Com certeza, o Shokonsai ajuda a manter viva essa identidade cultural. Mais que uma tradição religiosa, o evento mantém a fé de um povo, respeito e gratidão. E desta forma, todo o ano, no segundo domingo do mês de julho, fazem essa homenagem”, explicou.
Ele também destacou que a associação trabalha para que os jovens deem continuidade ao legado deixado pelos primeiros imigrantes: “O papel da associação, é de preparar os mais jovens para dar continuidade dos legados deixados pelos antepassados”.
Por fim, Alberto convida a população regional para comparecer ao evento, destacando que o Shokonsai é uma oportunidade de conhecer uma tradição preservada há mais de um século.
“As pessoas que nunca participaram, faço o convite para que venham conhecer o Shokonsai, juntamente com seus familiares, assim, poderá conhecer um pouquinho mais da cultura tradicional japonesa, um evento que perdura há mais de 100 anos”, finalizou.
Fonte: G1




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