Fim da escala 6×1: setores criticam rigidez da PEC e alertam para impactos econômicos
A PEC que propõe o fim da escala 6×1 prevê dois dias obrigatórios de descanso semanal e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas. A proposta tem gerado críticas de representantes do agronegócio, supermercados e indústria, que apontam aumento de custos, dificuldades operacionais e possíveis efeitos sobre empregos e preços.
Agronegócio
Representantes do setor afirmam que a PEC não considera as particularidades da atividade rural, marcada por períodos intensos de plantio, colheita e produção contínua, como na pecuária leiteira. Segundo eles, uma escala rígida pode comprometer a produtividade e dificultar a organização do trabalho.
A diretora-executiva da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Patrícia Arantes, destaca que o setor emprega cerca de 30 milhões de pessoas e que qualquer mudança terá grande impacto. Estudos apresentados pela Frente Parlamentar da Agropecuária estimam custos adicionais bilionários para segmentos como etanol, proteína animal e cooperativas.
Supermercados
O setor supermercadista avalia que a redução da jornada para 40 horas representa um desafio, principalmente para pequenas empresas. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirma que a escala 5×2 pode ser adotada sem aumento de preços se as 44 horas semanais forem mantidas.
Já a Associação Paulista de Supermercados (Apas) estima impacto de 9% a 10% nos preços ao consumidor. O setor também relata escassez de mão de obra e argumenta que a redução da carga horária exigiria novas contratações.
Indústria
Representantes da indústria afirmam que a redução da jornada sem diminuição proporcional dos salários elevará o custo da hora trabalhada, podendo gerar repasses aos preços, aumento da inflação, perda de competitividade e crescimento da informalidade.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que a medida pode elevar entre R$ 178,2 bilhões e R$ 267,2 bilhões por ano os custos com empregados formais. Estudos regionais apontam aumento de custos de até 13% na construção civil e 11% na indústria de transformação.
Lideranças industriais também criticam a inclusão de regras rígidas na Constituição e defendem maior negociação entre empregadores e trabalhadores. Além disso, avaliam que o debate tem sido influenciado por interesses políticos e eleitorais, defendendo uma discussão mais aprofundada no Senado.
Fonte: CNN Brasil.




Deixe um comentário