‘Eu achei que a gente ia morrer’: brasileira relata desespero durante terremoto de 7,4 na Colômbia

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‘Eu achei que a gente ia morrer’: brasileira relata desespero durante terremoto de 7,4 na Colômbia

Natural de Presidente Prudente (SP), Juliana Peruchi Marra mora em Pereira há um ano e descreveu o desespero, os prédios danificados e a falta de comunicação após o terremoto que deixou centenas de mortos.

“Eu achei que a gente não ia conseguir chegar até o fim, que o edifício ia cair.” Foi assim que a jornalista Juliana Peruchi Marra descreveu os momentos de desespero que viveu durante o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10).

Natural de Presidente Prudente (SP), a jornalista mora em Pereira, no centro-oeste do país, há cerca de um ano. Ela estava em casa com o marido quando percebeu que o tremor, inicialmente considerado algo comum na região, não parava.

O abalo foi o mais forte registrado na Colômbia neste século e provocou mortes, feridos, desabamentos e danos em diferentes cidades. Enquanto equipes de resgate trabalham para localizar pessoas entre os escombros, moradores também enfrentam interrupções no fornecimento de energia e dificuldades de comunicação.

Juliana contou que já havia sentido outros terremotos desde que se mudou para o país. Por isso, inicialmente, não imaginou que o tremor desta segunda-feira tivesse uma dimensão tão grande.

“Começou a tremer e eu falei assim: ‘ah, está tremendo’. E aí não parava, não parava, não parava e começou só a aumentar. E aí a gente falou: ‘não, isso aqui está diferente’”, relatou.

O marido percebeu a gravidade da situação e começou a alertá-la de que se tratava de um terremoto. Dentro do apartamento, objetos começaram a cair.

“Começou a tremer muito, muito, muito, muito. A gente abriu a porta do nosso apartamento, os vizinhos estavam todos gritando, todos saindo dos apartamentos, todo mundo desesperado. Comecei a ver as coisas do meu apartamento caindo tudo no chão. Copo, planta, monitor, caindo tudo no chão”, disse Juliana.

Brasileira que vive na Colômbia, Juliana Peruchi Marra, relata o que viveu durante terremoto de magnitude 7,4 — Foto: Juliana Peruchi Marra/Imagem Cedida

‘Eu só ia rezando’

Diante do tremor cada vez mais intenso, o casal decidiu deixar o apartamento pelas escadas. Segundo Juliana, o momento foi marcado por gritos e correria entre os moradores.

“A gente começou a descer as escadas correndo e tremia de uma maneira desesperadora, todo mundo gritando”, contou.

A sensação era de que o prédio poderia desabar: “Eu achava que a gente não ia conseguir chegar até o fim, que o edifício ia cair. Eu só ia rezando e falava: ‘Meu Deus do céu, deixa a gente chegar no térreo’. Quando a gente chegou no térreo, parou de tremer”.

Já do lado de fora, a preocupação passou a ser com os familiares. Ela contou que moradores lotaram as ruas e tentavam buscar informações, mas a comunicação foi prejudicada pela queda da internet e do sinal de celular.

“Todo mundo começou a pegar o celular, a ligar. A gente ficou preocupado com a minha família, com os meus sogros. Começamos a ligar para todo mundo, desesperados, procurar informação. A internet já tinha caído, esse sinal já tinha caído de muito celular”, relatou Juliana.

Mesmo com todas as adversidades, ela conseguiu avisar a família no Brasil de que estava bem.

‘Apocalipse’

Depois de conseguir deixar o prédio, a prudentina e o marido saíram para procurar o sogro, que mora nas proximidades. Foi nesse momento que Juliana percebeu a dimensão dos estragos provocados pelo terremoto.

“Quando a gente saiu para buscar ele que a gente viu a magnitude da coisa. Parecia um filme de apocalipse. Foi horrível”, contou.

Segundo o relato, havia ruas movimentadas, semáforos que não funcionavam e pessoas chorando. Ela também passou por um hospital próximo de casa, onde pacientes precisaram ser retirados para a área externa.

Cinco horas fora de casa

Mesmo depois de o tremor principal terminar, o medo de novos abalos fez com que os moradores permanecessem fora dos edifícios.

A brasileira contou que ela, o marido e o sogro ficaram cerca de cinco horas do lado de fora até receberem a confirmação de que a estrutura do prédio onde moravam estava segura.

Depois de retornar ao apartamento, encontraram objetos espalhados pelo chão, sujeira e rachaduras nas paredes: “A gente entrou no apartamento e viu os estragos, muita rachadura no nosso apartamento, sujeira, tudo caído no chão. Menos mal que foi só coisa material.”

Segundo ela, apesar dos danos dentro do imóvel, a estrutura do edifício não foi comprometida e a família conseguiu passar a noite no apartamento.

Falta de energia e comunicação

Outro problema enfrentado pelos moradores foi a interrupção dos serviços de comunicação e energia elétrica.

O sinal de celular só voltou no fim da tarde, permitindo que ela conseguisse conversar novamente com familiares e amigos no Brasil. A energia elétrica, por sua vez, só foi restabelecida durante a noite. Sem internet, ela contou que passou a acompanhar as informações principalmente pelo rádio.

Foi também por meio das informações divulgadas após o terremoto que ela tomou conhecimento do número crescente de mortos e desaparecidos.

Na noite seguinte ao terremoto, o medo de novas ocorrências permaneceu.

“Foi muito tenso, porque ficamos com medo de ter uma réplica, de ter outro terremoto, então qualquer barulho a gente se assustava”, relatou a brasileira.

A região registrou réplicas após o tremor principal, mas, segundo Juliana, ela não sentiu novos abalos de grande intensidade em Pereira.

Ela também relatou que circulavam mensagens sobre possíveis novos terremotos, mas as autoridades alertaram a população para não acreditar em informações falsas, já que não é possível prever quando um terremoto irá acontecer.

Sensação única

Mesmo tendo vivido outros tremores na Colômbia, a experiência desta segunda-feira foi completamente diferente para a brasileira.

“Muito desespero, não vou mentir. Eu juro por Deus, eu achei que a gente ia morrer quando estava descendo essas escadas. Nunca passei por uma coisa como essa, nunca na minha vida, e nunca achei que ia passar”, contou.

Enquanto ainda acompanha a situação, ela também pensa nos reparos que precisarão ser feitos no apartamento: “Agora é muita gente ajudando, muitas doações, e pouco a pouco vamos vendo”.

Mortes

O terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira (10), com epicentro próximo a San José del Palmar, no oeste do país, a cerca de 110 quilômetros de profundidade.

O tremor foi sentido em diferentes regiões e provocou danos estruturais, desabamentos e a retirada de moradores de edifícios.

Nesta terça-feira (11), equipes de resgate entraram no segundo dia de buscas por sobreviventes entre os escombros. Segundo as informações divulgadas pelas autoridades colombianas, mais de 220 pessoas morreram e outras ficaram feridas ou desaparecidas.

O governo colombiano declarou situação de emergência e mobilizou equipes para auxiliar as regiões mais atingidas.

Fonte: G1

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