Quaresma: caminho de silêncio, fé e transformação

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Quaresma: caminho de silêncio, fé e transformação

São 40 dias para recomeçar uma mudança interior; muitos cristãos mantêm algumas tradições durante este período, como não comer carne vermelha e alimentos com açúcar

A Quaresma – que começou na Quarta-Feira de Cinzas e termina antes da Missa da Ceia do Senhor (Quinta-Feira Santa) – é o tempo litúrgico de 40 dias que prepara a Igreja para a celebração da Páscoa. Segundo o padre Rafael Moreira de Campos, o número 40 é profundamente bíblico. “São 40 dias do dilúvio, 40 dias que Jesus passou no deserto, 40 dias de Moisés no Monte Sinai, 40 dias de Elias até o Horebe e 40 dias do povo de Israel no deserto”.

Segundo o padre Rafael, na liturgia católica, a Quaresma é um tempo de conversão, purificação, penitência e renovação interior, além de outros simbolismos como a cor roxa usada nas missas pelos padres, a ausência do Glória e do Aleluia. “A sobriedade das celebrações indica um tempo de recolhimento e preparação espiritual. A Quaresma não é tristeza, é caminho, é o deserto que conduz à Páscoa”.

Importância para os cristãos

O religioso ressalta que a Quaresma é importante, porque recoloca o cristão diante do essencial. “Ela nos lembra que somos frágeis [as cinzas recordam: és pó]. Precisamos de conversão. A cruz é parte do caminho, a ressurreição exige passagem pela entrega. É o tempo forte de revisão da vida. Sem Quaresma, a Páscoa vira apenas festa. Com Quaresma, a Páscoa se torna experiência”.

Proposta da Igreja para a Quaresma

Ainda de acordo com o padre Rafael, durante a Quaresma, a Igreja propõe três pilares fundamentais:

– Oração: intensificar a vida espiritual, participar da missa, rezar mais (terço, via-sacra, adoração, leitura da Palavra);

– Jejum: desapego e domínio de si. Não apenas alimentar, mas também: jejum de palavras duras, jejum de redes sociais, jejum de excessos, jejum de comodismo. O jejum educa o coração;

– Caridade: esmola concreta, solidariedade, perdão, atenção aos pobres e necessitados. Não é apenas “dar algo”. É tornar-se dom.

Tradições

Muitos cristãos vivem a Quaresma como um tempo de real disciplina espiritual e fidelidade às práticas antigas da fé. Para esses cristãos, manter as práticas quaresmais não é apenas seguir um costume antigo, mas renovar a fé e preparar o coração para celebrar a Páscoa com maior profundidade.

Um exemplo disso é o advogado Joselito Ferreira da Silva. “Nós, cristãos, usamos este tempo para nos aproximarmos mais do mistério e do divino. Eu tenho por costume, desde minha família de origem, abrir mão de alguma coisa que gosto para que meu desejo contido possa me lembrar que é um tempo ‘diferente’, um momento diferente da nossa vida e da nossa fé”.

Joselito segue um preceito antigo da Igreja, ele não consome carne vermelha nas quartas e sextas-feiras da Quaresma. “Também para despertar e aumentar a minha espera pela grande festa da vida – a Páscoa – não como nada com açúcar [doces] e leite. É que o povo de Deus enquanto caminhava no deserto desejava chegar a uma terra onde ‘corre leite e mel’. Assim aumenta a minha expectativa, no deserto da vida, pela chegada da Páscoa ou da passagem”.

Ele ressalta que o principal é aumentar sua participação nos momentos de oração comum e nas celebrações litúrgicas próprias deste tempo, como a Via-Sacra às sextas-feiras na igreja. “O mais importante para mim é não deixar de estar presente, celebrando com a minha comunidade as celebrações da Semana Santa, especialmente no Tríduo Pascal, onde revivemos a cada ano a paixão, a morte e a ressurreição do Senhor Jesus”.

A comerciante Isabel Cristina Valenzola de Tilio também segue algumas práticas durante o período da Quaresma. “Tenho a prática da abstinência de carne vermelha em todas as sextas-feiras do ano, uma prática intensificada neste período da Quaresma, além, claro, da Quarta-Feira de Cinzas. Intensifico também a prática da caridade e da esmola, e participo das missas penitenciais nas madrugadas, às sextas-feiras da Quaresma”.

Isabel ressalta que o importante durante este período é o domínio das vontades e desejos. “Abrir mão de algo que é prazeroso e deixar de lado hábitos contrários ao que Jesus nos ensinou, é grandioso. É importante também a mortificação daquilo que não é essencial para um crescimento na fé e nas práticas espirituais, sempre a partir do exemplo de Cristo”.

Fonte: O Imparcial

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