Com única reforma feita há quase 10 anos, Terminal Rodoviário de Presidente Prudente expõe problemas com falta de manutenção

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Com única reforma feita há quase 10 anos, Terminal Rodoviário de Presidente Prudente expõe problemas com falta de manutenção

Estrutura tem 48 anos e está com diversas vidraças quebradas, grades tortas, cobertura danificada e fiação à mostra, entre outras questões que geram reclamações.

Já tem 48 anos que o Terminal Rodoviário de Presidente Prudente (SP) foi inaugurado. Em quase cinco décadas, os local foi ponto de embarque e desembarque de milhões de passageiros dos ônibus intermunicipais e interestaduais. Entre idas e vindas, o tempo também dá sinais, principalmente da falta de manutenção.

Na rampa da Rua Luiz Cunha, de acesso ao piso superior onde ficam os guichês das empresas de ônibus, a cobertura está danificada. Faltam algumas placas que, segundo pessoas que trabalham no local, foram arrancadas com os temporais no segundo semestre de 2021. Como nada foi feito, a cada nova forte chuva, mais pedaços são levados pelos ventos.

“A cobertura já estava velha, acumulava água em alguns pontos e até vazava. Teve o temporal e arrancou algumas partes. Cada vez que venta, leva mais um pedaço. Até agora, nada foi feito”, disse uma pessoa que trabalha no local há cerca de um ano. Ela pediu para não ser identificada.

Na parte superior, ainda há fiação exposta sobre os guichês. Outro funcionário, que também prefere não se identificar, falou que está no local há cerca de 30 anos e vê somente reparos pontuais.

“Não tem melhora nas instalações, que estão todas velhas. Teve a reforma, mas depois foram apenas pinturas, poucas coisas. Fora que a rodoviária é pequena pela demanda”, explicou.

Também junto aos guichês há uma central de informações turísticas que, segundo pessoas que trabalham no local, nunca funcionou. O espaço está mobiliado, mas não havia ninguém.

Na parte inferior, as janelas e portas que separam o saguão de espera do lado exterior expõem mais problemas. Muitos vidros estão trincados ou quebrados. Algumas partes ficaram sem o material e em outros houve a substituição de forma improvisada por placas em branco ou que antes informavam a numeração de plataforma, proibição de dar esmolas e aviso para apresentação do comprovante de embarque.

O g1 noticiou em março do ano passado quando um cadeirante quebrou uma das vidraças. O espaço ainda está sem os vidros.

Janelas e portas de outras áreas também estão com os vidros quebrados.

No banheiro feminino, não havia assento sanitário nas privadas, algumas válvulas da descarga estavam danificadas, assim como o suporte para papel higiênico, trava das portas e frasco de sabonete líquido. Não havia nenhum outro recipiente com sabonete para lavagem das mãos.

Banheiro feminino do Terminal Rodoviário de Presidente Prudente está danificado — Foto: Heloise Hamada/g1

“Só fica a promessa de melhorias. Chegaram até a prometer a construção de uma nova rodoviária em outro lugar. Aqui virou apenas um lugar para embarque e desembarque porque não tem mais nenhum outro atrativo, um restaurante, uma farmácia, um caixa eletrônico. Ninguém quer frequentar aqui”, reclamou.

Ele ainda lembrou de outras promessas como a reforma da área dos guichês e melhorias no saguão de embarque, com entrada apenas mediante apresentação da passagem, como há em outras rodoviárias, como a de Londrina (PR).

Outra lembrança, esta trágica, foi a do atropelamento que matou uma mulher. Um ônibus atingiu a vítima na entrada de acesso ao Terminal Rodoviário em dezembro do ano passado. “Ali tinha que ter uma cancela ou os pessoas não deveriam passar por ali também”, comentou.

A rodoviária da cidade paranaense chegou a ser visitada por secretários municipais de Presidente Prudente em 2011 e a promessa era de que alguns procedimentos seriam adotados a partir do término da reforma do terminal prudentino.

“Foram vistos o sistema informatizado, o controle de acesso aos ônibus e a logística, além de detalhes como carrinhos de bagagem, portões de vidro que separam a área de embarque e de espera, auditoria por amostragem nas tarifas, limpeza, segurança e balcões padronizados de venda de passagem”, informou a Prefeitura na época.

Outra testemunha da falta de manutenção do local, que também preferiu não se identificar, questionou o uso do dinheiro arrecadado com a taxa de embarque, que é cobrada da população no valor de R$ 3,73 por cada passagem.

“Esse dinheiro vai para outro lugar. Dinheiro que os próprios passageiros pagam para melhorar aqui, para ter mais conforto. Presidente Prudente é a capital do Oeste Paulista e não deveria ter uma rodoviária assim”, lamentou.

Os televisores no local de espera para os passageiros estão desligados, empoeirados e sujos. A grade metálica que margeia a calçada do terminal na Avenida Brasil está torta em várias partes. Em 2019, um ônibus derrubou parte da grade e invadiu a avenida. Não houve feridos.

Antes do feriado do Carnaval deste ano, a administração do Terminal Rodoviário divulgou que a estimativa de passageiros para o período era de 10,4 mil pessoas.

g1 solicitou posicionamento da Prefeitura de Presidente Prudente sobre a situação no Terminal Rodoviário. A reportagem questionou sobre o trabalho de manutenção no local e quem realiza esse serviço, sobre o valor arrecadado com a taxa de embarque e como esse dinheiro é utilizado, bem como se há planos para uma reforma.

Em nota, o Poder Executivo respondeu, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública (Semob), que já providenciou os orçamentos para a troca dos telhados da cobertura que leva ao andar superior da rodoviária, bem como dos vidros do saguão, que foram seriamente danificados por um evento climático.

Em relação aos banheiros, a Semob informou que recebem manutenção constante e, no início da atual gestão, houve uma reforma completa em portas, boxes, assentos sanitários e pias, entre outras estruturas, no entanto, “os locais são frequentemente vandalizados mesmo com a presença da atividade delegada no local, que mantém dois PMs [policiais militares] por turno, 24 horas por dia”.

“No local circulam diariamente cerca de 2 mil pessoas e a administração da rodoviária é feita exclusivamente pela Prefeitura, com recursos próprios e obtidos por meio das taxas de embarque, utilizados na gestão, limpeza, manutenção, segurança e despesas gerais do complexo”, finalizou o Poder Executivo.

A última e única grande reforma

Conforme informações levantadas no site da Prefeitura de Presidente Prudente, o terminal começou a ser construído no início dos anos 1970 e inaugurado em 1974 no local que havia sido o cemitério municipal.

Em agosto de 2009, o governo estadual destinou uma verba de R$ 652 mil para a reforma completa do Terminal Rodoviário. A contrapartida da Prefeitura era de R$ 200 mil.

Já em 2010, teve início o processo de licitação para as obras. Na ocasião, o valor para a reforma aumentou para mais de R$ 1 milhão, sendo R$ 652 mil de recurso proveniente do governo estadual e aproximadamente R$ 400 mil de contrapartida da Prefeitura.

Na época, o município informou que o espaço nunca tinha passado por uma revitalização desde a sua construção. A previsão era de que as obras fossem concluídas em seis meses, assim que iniciadas.

A reforma e a ampliação da rodoviária foram feitas para a readequação da estrutura que conta com mais de mil metros quadrados de construção. Entre os serviços anunciados, estavam:

Duas novas lanchonetes

Nova cobertura na entrada

Troca do piso

Colocação de asfalto nas áreas de estacionamento dos veículos, no embarque e no desembarque dos ônibus e nos pontos de táxis

Reforma dos banheiros conforme normas de acessibilidade

Troca das borrachas das escadas

Adaptação da rampa de acesso e cobertura com policarbonato

Substituição das luminárias

Nova cobertura dos pontos de táxis

Novo estacionamento ao lado da rodoviária

Reforma integral da infraestrutura elétrica e hidráulica

Revitalização da praça ao lado do terminal

Pintura geral

Nas próprias informações oficiais divulgadas pela Prefeitura, o prazo para a entrega da revitalização tinha divergências. Em 14 de março de 2011, foi noticiada a instalação do canteiro de obras na rodoviária, com investimento de R$ 1 milhão, com 65% dos recursos provenientes do governo do Estado e o restante da Prefeitura. A conclusão seria em até cinco meses.

A obra chegou a ficar paralisada por causa de problemas com a primeira empresa que venceu a licitação. O contrato foi rompido e somente em janeiro de 2013 os trabalhos foram retomados.

Porém, não foram cinco meses, seis meses, e nem um ano. Em 6 de março de 2014, houve uma nova publicação que relatava a finalização das adequações e melhorias no Terminal Rodoviário. Na ocasião, também foi construída uma base da Polícia Militar na área externa. O novo prazo era de finalização em até dois meses.

Fonte G1

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