Influencer surda inspira ao compartilhar rotina na internet: ‘Queria fazer algo diferente’

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Influencer surda inspira ao compartilhar rotina na internet: ‘Queria fazer algo diferente’

Em celebração ao Dia Nacional do Surdo, nesta sexta-feira (23), o g1 conversou com a Patrícia Roque de Souza, 33 anos, que mora em Presidente Prudente (SP) há quase quatro anos e passou a gravar vídeos na internet a partir de 2020.

O Dia Nacional do Surdo é celebrado em 23 de setembro. Para marcar a data, o g1 conversou com a influenciadora Patrícia Roque de Souza, de 33 anos, que nasceu com surdez profunda e encontrou na internet uma forma de compartilhar a rotina e se conectar com a comunidade surda.

Natural de Brasília, Patrícia vive em Presidente Prudente (SP) há quase quatro anos, desde que se casou. Mas a trajetória na internet começou antes, em 2020, durante a pandemia da Covid-19.

“Comecei ser influencer na pandemia. Queria fazer algo diferente. Ser influenciadora me motiva muito a ajudar no crescimento e aprendizado de muitas coisas focadas na comunidade surda, que é muitas vezes carente em vários pontos”, contou.

Hoje, Patrícia produz conteúdos sobre a rotina, bem-estar e dicas de beleza. Ela também mantém parcerias com marcas de cosméticos e lojas de utilidades.

Produção de conteúdos

A produção de vídeos é um desafio, segundo Patrícia. “Desde material até o emocional. Precisa de muita persistência, foco e não desistir dos seus sonhos. Dar sempre continuidade aos conteúdos, parcerias, etc”.

Na família de Patrícia, uma prima também é surda oralizada – que consegue se comunicar com a voz -. No caso da prima, o diagnóstico foi devido ao caso de rubéola. Enquanto a mãe de Patrícia não teve nenhum caso de doença que pudesse influenciar.

“Aprendi o português escrito quando tinha uns sete anos, com aula particular em casa. Foi tranquilo. E estou aprendendo português até hoje!”, reforçou.

A maioria dos vídeos que grava para a internet são acompanhados de legenda, para que os mais de 16,5 mil seguidores possam acompanhar. “Alguns ouvintes (e seguidores), às vezes, ficam interessados e curiosos com a Libras”.

Patrícia Roque de Souza e o esposo Renan Roque — Foto: Patrícia Roque/Arquivo Pessoal

Renan Roque, esposo de Patrícia, também é surdo oralizado. Eles estão juntos há três anos e oito meses. “Conheci meu esposo pela rede social, casei e me mudei para cá. Vida nova!”

Em 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), 2,3 milhões de pessoas tinham deficiência auditiva. Conforme o Ministério da Saúde, o diagnóstico da surdez pode ser influenciada por diversos motivos, como:

Casos de surdez na família;

Nascimento prematuro;

Baixo peso ao nascer;

Uso de antibióticos tóxicos ao ouvido e de diuréticos no berçário;

Infecções congênitas, principalmente, sífilis, toxoplasmose e rubéola.

Importância da data

Patrícia reforça que o Dia Nacional do Surdo é um marco de luta e uma grande conquista para a comunidade surda. “Para mim, é a valorização da nossa cultura e da Língua de Sinais, que é a nossa comunicação”.

“E, também, da importância da inclusão e do respeito. É um dia para celebrar todas as nossas lutas! E para lembrar que a acessibilidade e a igualdade precisam avançar cada vez mais”, finalizou.

O significado da data também é reforçado por Carlos Vilhalba, de 50 anos, presidente da Associação dos Surdos e Surdas de Presidente Prudente e Região (ASSPP), que aparece no vídeo acima. “Para mim, o maior desafio para a comunidade surda é que as pessoas não têm paciência nem para ajudar ou auxiliar…”, afirmou.

Carlos também nasceu com surdez profunda, consequência de uma meningite que a mãe dele teve durante a gestação.

“Às vezes, uma coisa simples que você fala para uma pessoa surda, pode ser interpretada ao pé da letra, deixa a pessoa nervosa, e, por isso, precisa ter paciência para aprender a lidar e ajudar”.

Carlos está na ASSPP desde a fundação e dá aulas nos cursos de Língua Brasileira de Sinais (Libras) oferecidos pela associação e abertos para moradores da região. “O meu conselho para surdos e ouvintes é ter paciência uns com os outros, e todos precisam aprender a ter boas maneiras”, orientou.

Diferença entre saber Libras e ser intérprete

Segundo a voluntária Mirella Morano, de 36 anos, a diferença entre saber Libras e ser intérprete vai além da formação: envolve conhecimento técnico e domínio da língua.

“Eu, enquanto pessoa ouvinte sobrinha de pessoas surdas, sei Libras o suficiente para me comunicar, para uma conversa informal, mas isso não significa que estou apta para traduzir toda e qualquer informação em qualquer lugar”.

Mirella cita como exemplo o acompanhamento em consultas médicas, que exige do intérprete amplo conhecimento da língua e dos termos técnicos envolvidos.

“O intérprete de Libras precisa estudar constantemente, pois Libras é uma língua viva, ela está sendo atualizada o tempo todo, ou seja, todo dia tem um sinal novo sendo criado”, reforçou.

Para participar do curso oferecido pela ASSPP é necessário ter 15 anos ou mais. As inscrições são feitas online e as informações são divulgadas nas redes sociais. Mais detalhes podem ser obtidos pelo WhatsApp (18) 98183-9010.

Fonte: G1

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