Entrevista: Ed Thomas indica acerto com Ciop e desabafa: “estou sendo tratado como carniça” 


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Entrevista: Ed Thomas indica acerto com Ciop e desabafa: “estou sendo tratado como carniça” 

Prefeito falou a respeito do pedido de afastamento pela Câmara, rebateu críticas sobre rotatórias, indicou continuação do corte de gastos e também descartou pensar em reeleição no atual momento

No epicentro do impasse com o Ciop (Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista), que estremeceu a conjuntura política de Presidente Prudente nos últimos dias, o prefeito Ed Thomas (sem partido) concedeu entrevista à reportagem de O Imparcial na tarde desta quinta-feira e falou sobre o acordo para quitar o atraso dos repasses ao consórcio. O chefe do Executivo prudentino também apresentou sua perspectiva em relação ao pedido de afastamento que será encaminhado pela Câmara Municipal ao MPE (Ministério Público Estadual). Além disso, Ed Thomas rebateu as críticas sobre as obras nas rotárias da cidade, descartou a possibilidade de pensar em reeleição neste momento, disse estar sendo tratado como “carniça aqui e ali” e indicou cortes no orçamento do município para 2024 na tentativa de atenuar a crise financeira vivenciada por Presidente Prudente. Confira a entrevista:

OI: Prefeito, como tem sido sua articulação desde segunda-feira para conseguir o acordo com o Ciop? Este acordo realmente vai sair? 
  
ED: Sim, nós nos reunimos ontem junto ao MP [Ministério Público], Ciop e à Câmara Municipal buscando encerrar aquilo que não podia nem ter começado e onde se fez algo que nunca foi ideia, projeto ou qualquer situação que a Prefeitura quisesse quanto ao aviso prévio ou a demissão de trabalhadores. Isso não partiu da Prefeitura. 

A partir de agora, a gente firmou um acordo, que ainda vai passar por uma assembleia [do consórcio], mas que está praticamente consolidado. Fizemos duas propostas e veio a terceira, em comum acordo, com o pagamento parcelado do débito em seis vezes e o acerto de R$ 5,7 milhões. 

Vale lembrar que estas pessoas não estavam e não estão com os pagamentos atrasados. O atraso é do repasse da Prefeitura para o consórcio. O consórcio usou o fundo, que por lei é descontado destas parcelas, para ir honrando com os funcionários. 

OI: Como o senhor recebe a informação do anúncio de que a Câmara irá acionar o MPE para solicitar o seu afastamento do cargo?  

ED: Recebo a informação com a consciência muito tranquila daquilo que fiz em três anos. Na política e também na vida, você será mais lembrado por aquilo que não fez, do que por aquilo que fez. E é natural, porque fazer é obrigação. Então, [esse pedido de afastamento] é algo intempestivo. Qual é o amparo jurídico disso? Eu confio na verdadeira justiça, se for o papel da Justiça fazer este julgamento.

Continuo com o mesmo respeito à Câmara Municipal, com ela dizendo sim para projetos ou dizendo não. Nós tentamos de todas as formas sempre buscar o melhor para a cidade com a aprovação da Câmara e em algumas destas situações não tiveram a aprovação do Legislativo, desde a venda de terrenos inservíveis da Prefeitura a um empréstimo de R$ 90 milhões. Mas é sempre o respeito ao Legislativo o que vai prevalecer. E sempre confiar na Justiça, não deixo de forma nenhuma de confiar na Justiça.

Tenho uma consciência muito tranquila daquilo que enfrentei nestes três anos, desde a greve de motorista quando assumi uma Prefeitura com o transporte coletivo com funcionários sem receber e nós colocamos em dia através de uma CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] da Câmara, que pedia a retirada da empresa de ônibus. Nós fizemos todo o processo, todo um enfrentamento daquilo que não quiseram enfrentar, que foram empurrando e, em dado momento, chegou nesta administração, mas é assim que é. 

Aqui não se tem choro, não. Aqui tem, acima de tudo, coragem e, às vezes, pago pelo excesso de coragem, da vontade de fazer e de resolver aquilo que não resolveram. A gente é eleito para fazer, ninguém é eleito para fazer o pior, de forma nenhuma. 

Nós temos dificuldades na Prefeitura como tantos outros municípios espalhados por este país. Estamos em um enfrentamento diário, numa dificuldade sempre muito grande, tentando honrar aqueles que têm relacionamento com a Prefeitura. É claro que não está fácil, tem dificuldades e falta dinheiro, mas é claro também que há um enfrentamento e a busca por um controle diário para fazer uma cidade melhor. 

OI: Prefeito, há, nas redes sociais, muitos comentários críticos à sua gestão a respeito da reforma das rotatórias. O que o senhor tem a falar? 

ED: É muito triste a gente fazer comentário sem uma informação. A gente vê que hoje a rede [social] é um campo livre, onde as pessoas podem se expressar com ou sem conhecimento. Esse projeto das rotatórias é da administração anterior, é um ótimo projeto que se chama ‘Rotatória Galgável’, que são escapes para se evitar acidentes. Esse projeto não é da minha administração, mas tem uma sequência do meu governo. Isso é lei: tenho que prosseguir com projetos que recebi. Terminei o Camelódromo, o Atente Prudente, o Ginásio de Esportes. Terminei a creche e vou terminar a escola no [Conjunto Habitacional] João Domingos. E ainda faltam outras obras deixadas [para minha administração] e vou terminar.

Eu deixaria pra lá este projeto [das rotatórias]? Não, eu respondo. Na Justiça, eu tenho que ter justificativa de fazer algo que já tinha sido licitado, uma empresa já tinha ganho. Na administração anterior, do doutor Nelson [Bugalho], foram feitas quatro ou cinco destas mesmas rotatórias e que nós estamos seguindo agora. 

Então, é muito triste quando você vê uma imprensa – na qual eu faço parte – em particular num canal de televisão onde se coloca o microfone para um munícipe e ele fala ‘onde já se viu fazer calçada em rotatória?’, porém aquilo não é calçada e eles têm a informação correta. Então, o que aconteceu é muita desinformação. Eu apenas estou seguindo processos, projetos, licitações que foram deixados e eu estou terminando. 

OI: A situação atual de Presidente Prudente pode comprometer o planejamento orçamentário para o próximo ano? São previstos cortes, demissões? 

ED: Cortes sim, é preciso e nós temos feito o enxugamento. Não atingimos ainda aquilo que a gente gostaria, mas já houve cortes de despesas de supérfluos, de água, de energia e em cargos de confiança. E o orçamento é claro que ele também foi atingido, mas sempre preservando aquele trabalho, em especial, de educação e de saúde, mas lembrando que tudo é importante.

Nós vivemos este período difícil e essa fatura chegou pós-pandemia. Parece desculpa eu falar de pandemia, mas ela existiu e ainda tem efeitos. Nós tivemos cortes de repasses e de convênios com o governo federal e aí a gente teve que pagar isso com recurso próprio. Por exemplo, nós temos duas UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] que funcionam como dois hospitais desde a pandemia. Gente que fica internada e nós fazendo todo este cuidado, esperando uma transferência para o hospital do Estado. Até lá, tudo isso tem gastos. Então, nós temos o investimento em quase 30% em saúde, quando o mínimo é 15%.

Tenho que ter a sensibilidade de onde enxugar, de onde cortar. Como eu iria fazer corte em 2021 onde só se administrou respiradores, oxigênio, ambulâncias, UBSs [Unidades Básicas de Saúde], gente que infelizmente perdeu a vida ou outras que estão sequeladas [sic]. Esse é meu período, esse é um período difícil, com uma epidemia de dengue e uma outra que se avizinha. 

Mas é claro que sim, vai ter impacto no orçamento. É necessário que tenha e nós vamos fazer. 

OI: O senhor pretende concorrer à reeleição em 2024? 

ED: Eu estou mais correndo para resolver problemas da cidade de Presidente Prudente. Em nenhum momento, estou aqui pensando em reeleição, tanto é que estou há um tempo sem partido, é simples deste jeito. Quem está pensando em eleição é quem está trabalhando contra a administração – de quanto pior, melhor. 
Com todos estes ataques, eu estou sendo tratado – como se diz ‘aqui e ali’ – como carniça, mas eu nunca vou tratar as pessoas como urubu. Meu pensamento é administrar esta cidade e entregar melhor que recebi.

OI: Considerações finais? 

ED: O enfrentamento aqui é diário. É um enfrentamento de respeito e amor pela cidade. Eu vim, acima de tudo, fazer o melhor num momento pior que muitos no mundo estão vivendo. Não tem desculpas, de forma nenhuma, de jeito nenhum. Eu acredito na boa política, mas sempre compreendendo que a politicagem existe e precisa ser enfrentada. As pessoas têm consciência, têm olhos, ouvidos e boca. Creio que estas pessoas querem aquilo que eu quero, que é uma cidade melhor pra viver.  

Fonte: O Imparcial

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