Covid-19 afasta mais policiais da função do que eventuais acidentes de trabalho na região de Presidente Prudente


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Covid-19 afasta mais policiais da função do que eventuais acidentes de trabalho na região de Presidente Prudente

Na Polícia Civil, por exemplo, houve o afastamento de 37 agentes do Deinter-8 devido à contaminação do novo coronavírus e de apenas dois agentes para situações relacionadas a trabalho.

O setor da segurança pública na região de Presidente Prudente sofreu mais defasagens devido a afastamentos relacionados à Covid-19 do que por eventuais acidentes de trabalho. É o que revelou um levantamento do G1 junto às polícias Civil e Militar, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Os números compreendem ao período de março de 2020, quando começaram os casos na região, até 15 de fevereiro de 2021.

A polícia, em geral, tem como objetivo assegurar a ordem e a moralidade, bem como a segurança física e patrimonial em uma sociedade; é uma corporação destinada a fazer cumprir o conjunto de leis e disposições. Para tanto, grande parte desses profissionais ficam diuturnamente nas ruas e, consequentemente, expostos ao novo coronavírus.

Desta forma, considerado serviço essencial durante a pandemia de Covid-19 que atinge o mundo, o setor das forças de segurança recebeu somente no dia 24 de março do governo do Estado de São Paulo uma data para começar a ser imunizado: 5 de abril.

Polícia Civil

O Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior – Oito (Deinter-8) informou que no período consultado, não houve mortes de policiais civis na região provocadas pela Covid-19 ou decorrente de acidentes em serviço.

Entretanto, a Polícia Civil precisou afastar 37 policiais devido à contaminação da Covid-19. Deste total, 23 foram afastamos em 2020 e 14 neste ano. No mesmo período, dois agentes precisaram deixar as funções devido a algum acidente de trabalho.

O Deinter-8 ressaltou que as contaminações são monitoradas desde março de 2020, “período em que todos os policiais civis foram orientados e receberam equipamentos e produtos preventivos (máscaras, álcool em gel e líquido, medidores térmicos, produtos de desinfecção), além de estabelecido plano de contingenciamento para o home office dos casos suspeitos, isolamento social e até jornadas de trabalho alternativas, para minimizar os riscos”.

“A eficácia da prevenção é identificada pelo reduzido número de contaminações, a despeito do contato diário com a população. Embora exista esse contato diário, estabelecido obviamente com uso de equipamentos de segurança e proteção, mesmo aqueles que foram contaminados, não há como estabelecer o nexo de causalidade com a atividade desenvolvida”, esclareceu ao G1.

Polícia Militar

A Polícia Militar, por meio da LAI, também disponibilizou dados ao G1, porém, em âmbito estadual.

No período solicitado, houve 31.833 registros de afastamentos de militares devido à Covid-19. Já os acidentes de trabalhos, em 2020, retiraram das atividades 1.240 policiais, em todo o estado de São Paulo.

A corporação esclareceu que “um mesmo PM pode ter se afastado por suspeita de Covid-19 mais de uma vez”.

Conforme explicou a Polícia Militar, há o afastamento inicial, quando são apresentados sintomas, que perdura até a data em que o exame de PCR fica pronto. “Em muitos casos, o resultado retorna negativo”, apontou a corporação. “Em momento futuro esse PM pode se afastar novamente com os sintomas e o ciclo reinicia”, afirmou ao G1.

Até 15 de fevereiro de 2021, 35 policiais da ativa foram mortos pela doença. Não foram informados quantos policiais foram mortos em serviço.

Atividades mantidas

O Deinter-8, por meio do delegado Everson Aparecido Contelli, acrescentou ao G1 que a Polícia Civil não cessou suas atividades em nenhum momento durante a pandemia.

Neste período, foram ajustados os “procedimentos para enfrentar a crise sanitária e, assim, atender a população da maneira mais adequada, eficiente e com manutenção, de forma hígida, do sistema de Justiça Criminal, porquanto a atividade criminosa não cessou no período”.

O delegado ainda reforçou que a Polícia Civil é uma atividade essencial de fornecimento de serviço de segurança pública e já estava incluída no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19 e nas estratégias de vacinação do governo do Estado.

Já a Polícia Militar preferiu não se manifestar sobre o assunto.

Calendário

O governador João Doria anunciou no dia 24 de março a vacinação contra a Covid-19 de 530 mil profissionais das áreas da Educação e das forças da Segurança Pública.

A partir de 5 de abril, 180 mil policiais civis, militares e técnico-científicos, agentes penitenciários, bombeiros e guardas civis metropolitanos começam a ser vacinados. A meta é vacinar todos os integrantes de forças de segurança que estão na ativa.

‘Grupo prioritário’

Conforme o Plano Nacional da Vacinação contra a Covid-19, do Ministério da Saúde, estão elencadas as seguintes populações como grupos prioritários para vacinação:

Trabalhadores da área da saúde (incluindo profissionais da saúde, profissionais de apoio, cuidadores de idosos, entre outros)

Pessoas de 60 anos ou mais institucionalizadas

População idosa (60 anos ou mais)

Indígena aldeado em terras demarcadas aldeados

Comunidades tradicionais ribeirinhas e quilombolas

População em situação de rua

Morbidades (Diabetes mellitus; hipertensão arterial grave, difícil controle ou com lesão de órgão alvo)

Doença pulmonar obstrutiva crônica

Doença renal

Doenças cardiovasculares e cérebro vasculares

Indivíduos transplantados de órgão sólido

Anemia falciforme

Câncer

Obesidade grau III

Trabalhadores da educação

Pessoas com deficiência permanente severa

Membros das forças de segurança e salvamento

Funcionários do sistema de privação de liberdade

Trabalhadores do transporte coletivo

Transportadores rodoviários de carga

População privada de liberdade

O Plano de Vacinação foi desenvolvido pelo Programa Nacional de Imunizações em cooperação com o comitê de especialistas da Câmara Técnica e teve como base princípios similares aos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como nas considerações sobre a viabilização operacional das ações de vacinação.

Histórico da vacinação

A vacinação contra a Covid-19 começou no Brasil em 17 de janeiro, logo após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da CoronaVac, produzida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

O Programa Nacional de Imunização (PNI) brasileiro teve início no dia 18 de janeiro, e começou a ser feito após a distribuição das 6 milhões de doses da CoronaVac importadas já prontas da China.

No estado de São Paulo, a vacinação começou com profissionais de saúde da linha de frente no combate ao coronavírus, indígenas, quilombolas e idosos que viviam em instituições e foi avançando conforme a chegada de vacinas.

Fonte: G1

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